burburinho

spy game

cinema por Nemo Nox

Espionagem é um jogo elegante de captura de informações ou um perigoso esporte de assassinatos? Em Spy Game (EUA, 2001), dirigido por Tony Scott, não fica qualquer dúvida: os jogadores se encontram em cenários de guerra (Vietnam, muro de Berlim, Beirut), ao som de rajadas de balas e explosões, e não hesitam em assassinar seus adversários.

Robert Redford (de The Sting e The Last Castle) interpreta Nathan Muir, veterano da CIA em seu último dia de trabalho. Brad Pitt (de Seven e Fight Club) é Tom Bishop, jovem agente capturado pelos chineses durante uma missão. Vendo que deixar Bishop ser executado parece mais conveniente para os políticos de plantão que arriscar um incidente internacional às vésperas de um acordo comercial entre China e EUA, Muir resolve intervir. Começa um jogo interno de espionagem e contra-espionagem, com Muir fazendo jogo duplo com seus próprios colegas para tentar salvar o rapaz que ele mesmo treinou na arte da espionagem.

A narrativa de Spy Game é engenhosa. A ação se passa durante um só dia em 1991, mas o roteiro é recheado de flashbacks que vão mostrando o relacionamento de Muir e Bishop, passando por recrutamento, treinamento e ruptura. Numa montagem dinâmica e recheada de efeitos de edição, vamos conhecendo as missões e o modus operandi desses enviados estadunidenses.

Assassinar um militar vietnamita aqui, matar um agente duplo ali, explodir um líder do oriente médio acolá: é sempre mortal a atividade destes agentes. Uma única cena ensaia um dilema moral, mas basta a explicação pragmática do velho espião para tranqüilizar a consciência do personagem novato (e, parece ser essa a intenção, também do público). Para um país que se pretende contra o terrorismo, os EUA deste filme usa métodos perigosamente semelhantes contra seus inimigos.


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