burburinho

a sombra sonora do disco voador

miscelânea por Nemo Nox

Entre o xenomessianismo, dos que crêem que extraterrestres serão a salvação do planeta e da espécie humana, e a xenobiofobia, dos que temem alienígenas mal intencionados, contamos aos milhares as pessoas que acreditam que fomos ou estamos sendo visitados por seres de outros planetas. Mas que evidências existem para fazer dessa moda ufológica algo mais consistente que uma fé cega, parceira de tantas religiões na falta de objetividade científica? Até o momento, nenhuma.

Tudo começa com os UFOs (Unidentified Flying Objects) ou OVNIs (Objetos Voadores Não Identificados), nada mais que o próprio nome indica: fenômenos de origem e natureza desconhecida registrados nos céus. Quando propriamente investigados, quase todos OVNIs acabam por se revelar como aviões, balões meteorológicos, estrelas, auroras, descargas eletromagnéticas, e uma série de outros objetos e fenômenos fartamente conhecidos. Dos restantes, mesmo eliminando os que não passam de fraudes (e não são poucos), ainda sobra uma pequena lista de casos não solucionados, por falta de elementos ou por falta de conhecimento. Isto não significa que estejamos lidando com furtivos extraterrestres em naves espaciais. Até que surjam evidências da existência de tais seres ou de tais veículos, estes casos misteriosos continuam simplesmente a fazer justiça ao nome: são objetos voadores não identificados.

E não poderiam ser efetivamente naves espaciais? No terreno das hipóteses, sim. Mas, por essa mesma lógica, poderiam também ser aparições de espíritos ancestrais ou cronoviajantes vindos do futuro. Ou exigimos alguma consistência científica nas teorias propostas, ou cairemos no terreno divertido porém inconseqüente da fantasia ou da ficção-científica.

Para aceitarmos a possibilidade de seres extraterrestres visitando o nosso planeta, algumas perguntas devem ser respondidas. A primeira e mais famosa é a Questão de Fermi: se existem extraterrestres, onde eles estão? É possível que outros planetas da nossa galáxia sejam propícios ao desenvolvimento da vida, talvez mesmo de vida inteligente, talvez mesmo sociedades tecnologicamente mais avançadas que a nossa, talvez ainda com indivíduos capazes de resolver o problema de como viajar através das vastas distâncias estelares durante o seu tempo de vida (ou estamos falando de alienígenas imortais?). Mesmo supondo que isso acontecesse paralelamente ao desenvolvimento da espécie humana (o que, levando-se em consideração a nossa idade em comparação com a idade do universo, já torna esta possibilidade uma grande coincidência), resta ainda uma dúvida a solucionar. Por que não captamos em qualquer ponto do universo sinais alguns desta hipotética civilização?

Na falta de provas materiais, o que usualmente nos é apresentado para defender a veracidade das visitas de extraterrestres são depoimentos de pessoas afirmando que entraram em contato com tais seres ou até mesmo que foram por eles raptadas. Que crédito podemos dar a tais relatos quando nada existe que os possa confirmar? Por que nenhuma dessas testemunhas é capaz de oferecer algo que não possa ter saído do mais recente filme de ficção-científica? Mesmo supondo que essas pessoas não estejam interessadas na relativa fama (jornais sensacionalistas, adaptações para televisão, etc.) ou na relativa riqueza (livros, palestras, etc.) vindas das suas declarações, não estamos necessariamente diante de um relato verídico. A aparente honestidade da testemunha por si só não transforma sua história em algo verdadeiro.

Quanto à idéia de que visitas de extraterrestres são freqüentes, sendo porém encobertas pelas autoridades de vários países, pouco há a dizer. Que governo teria organização e competência para manter em segredo algo dessas proporções? E como atuariam em conjunto, por cima de interesses nacionais, para manter o segredo no plano internacional? Aqui ultrapassamos o terreno da fé ufológica e entramos no delírio das teorias conspiratórias. Mas isto já é outra história.


pensamentos despenteados para dias de vendaval
Copyright © 2001-2005 Nemo Nox. Todos os direitos reservados.