burburinho

harry potter and the sorcerer's stone

cinema por Nemo Nox

O mundo de Harry Potter apresenta uma realidade simples e compartimentada. As pessoas se dividem em dois grupos, os que possuem e os que não possuem poderem mágicos. Os felizardos capazes de executar encantamentos e elaborar poções estudam num grande colégio, onde são divididos também em grupos, cada um com suas cores e suas bandeiras.

O clima é sempre de rivalidade, seja entre magos e muggles (os infelizes incapazes de praticar as artes mágicas) ou entre Gryffindor, Slytherin, Hufflepuff e Ravenclaw (os quatro grupos do colégio de magia). Essa realidade de competição e atrito serve de base para um dos filmes mais esperados do ano, por crianças e adultos, Harry Potter and the Sorcerer's Stone (EUA-GB, 2001), dirigido por Chris Columbus.

Baseado no famoso livro de J.K. Rowling, Harry Potter and the Sorcerer's Stone conta a história de um menino de onze anos (Daniel Radcliffe, do televisivo David Copperfield) que descobre ser o filho de um casal de magos. Junto com a descoberta, vem a oportunidade de deixar a família adotiva, que sempre o tratou mal, e ingressar na Hogwarts School of Witchcraft e Wizardry, a escola para magos onde vai conhecer seus novos amigos Ron Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson) e viver aventuras antes só sonhadas.

Harry não é um mago qualquer e já chega a Hogwarts com a fama à sua frente. Ele é uma espécie de messias, sobreviveu ao ataque do vilão Voldemort quando ainda era bebê, e por isso toda a comunidade mágica acredita que esteja predestinado a derrotar de vez aquele ser maligno cujo nome quase ninguém tem coragem de pronunciar. Assim, Harry conta com a ajuda e boa vontade de um grupo poderoso: o diretor da escola, Albus Dumbledore (Richard Harris, de Gladiator e Unforgiven); a professora e conselheira Minerva McGonagall (Maggie Smith, de Tea with Mussolini e A Room with a View); e o gigante Rubeus Hagrid (de From Hell e Message in a Bottle).

Como todo herói precisa de vilões, Harry não só os tem em abundância como também são de fácil identificação, por estarem sempre "no outro grupo". Seus pais adotivos são muggles, Harry é um mago. Draco Malfoy (Tom Felton, de Anna and the King) e o ameaçador Severus Snape (Alan Rickman, de Dogma e Die Hard) são Slytherin, Harry é Gryffindor. Existem algumas pequenas surpresas pelo caminho, mas a estrutura básica de conflitos intergrupais continua valendo. Tanto que, na hierarquia do roteiro, é menos importante derrotar o super-arqui-ultra-vilão que obter uma nota mais alta que o grupo rival na escola.

Apesar de toda a compartimentação dos personagens, o diretor Chris Columbus (de Home Alone, Mrs. Doubtfire e Bicentennial Man) faz um bom trabalho com o roteiro de Steven Kloves (diretor de The Fabulous Baker Boys e roteirista de Wonder Boys). Algumas cenas fazem referência a coisas que o público jovem de Harry Potter and the Sorcerer's Stone dificilmente conhece, mas mesmo assim servem para enriquecer o filme. As citações vão de Hitchcock, com pássaros cercando uma casa e depois a invadindo pela chaminé, aos jogos de computador, com uma partida de xadrez que lembra o velho Battlechess.

Harry Potter and the Sorcerer's Stone funciona quase como um jogo. Os adversários são claros, as regras estão definidas, basta cada jogador dar o melhor de si e ajudar o time a conquistar a vitória. A seqüência emblemática do filme, e talvez a que mais encante por causa dos efeitos especiais, acaba sendo a da partida de Quidditch, mistura de futebol, basquetebol, críquete e futebol americano, jogada em alta velocidade sobre vassouras voadoras. Para vencer, vale quase tudo, inclusive engolir a bola. Bem-vindo ao mundo de Harry Potter.


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