burburinho

domestic disturbance

cinema por Nemo Nox

Filmes como Desperate Hours ou Cape Fear, onde uma família precisa se unir contra um inimigo externo, numa afirmação de unidade e eficiência do que pretende ser a célula básica da sociedade, não são incomuns. Mas vez por outra aparece um que leva a metáfora um passo além e apresenta a situação negativa quase como punição divina por um deslize. Um dos casos mais famosos, claro, é Fatal Attraction, com Michael Douglas pagando caro pelo adultério com Glenn Close. Agora temos mais um candidato ao gênero: Domestic Disturbance (EUA, 2001), dirigido por Harold Becker e estrelado por John Travolta.

Frank Morrison (Travolta, recém-saído de Swordfish) é o pai divorciado de Danny (Matthew O'Leary), um menino de doze anos com problemas em aceitar a separação dos pais e o novo casamento da mãe (Teri Polo, de Meet the Parents). Um homem estranho ocupando o lugar do pai é sempre uma situação difícil para uma criança, mas neste caso o cenário é bem pior. Rick Barnes (Vince Vaughn, de The Cell), que parece ter conquistado toda a cidade com seus sorrisos e sua carteira recheada, tem um passado secreto e criminoso. Danny descobre isso ao testemunhar, involuntariamente, seu padrasto assassinando um antigo companheiro de falcatruas (Steve Buscemi, de Fargo e Con Air).

Domestic Disturbance lembra um pouco a história do menino que gritava "lobo". Mesmo sem qualquer lobo por perto, o rapazinho gostava de gritar "lobo" só para ver toda a aldeia correndo para o ajudar. No dia em que um lobo realmente o atacou, ninguém acreditou em seus gritos. No filme, Danny tem o hábito de inventar histórias e criar encrencas. Quando tenta convencer os pais e as autoridades que um assassinato aconteceu, ninguém acredita nele. Ainda assim, seu pai fica com uma ponta de dúvida, suficiente para provocar uma investigação particular. Domestic Disturbance não chega ao extremo de reunir o casal separado, mas os faz trabalhar em conjunto contra o "invasor", no caso o segundo marido, e funcionar novamente como família para proteger a prole.

Em filmes assim, como em histórias para assustar crianças, acontece o pior que pode acontecer. Você resolve dar uma escapada conjugal e escolhe exatamente uma psicopata furiosa como amante. Sua ex-esposa resolve se casar de novo e escolhe exatamente um assassino para ser o novo guardião do seu filho. É como se um monstrinho se alojasse no seu ombro durante a sessão de cinema e passasse todo o tempo sussurrando ao seu ouvido coisas como "é isso que acontece com quem não se comporta".


pensamentos despenteados para dias de vendaval
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