burburinho

bandits

cinema por Nemo Nox

Se misturarmos o triângulo amoroso de Jules et Jim, de François Truffaut, com a cumplicidade entre ladrões de banco de Bonnie and Clyde, de Arthur Penn, o resultado pode ser algo bem próximo a Bandits (EUA, 2001), o mais recente filme de Barry Levinson.

Joe (Bruce Willis, de Die Hard e Unbreakable) e Terry (Billy Bob Thornton, de Sling Blade e A Simple Plan) fogem da prisão e dão início a uma carreira de sucesso roubando bancos. Eles visitam o gerente na noite anterior, passam a noite com a família, e, na manhã seguinte, chegam cedo ao local do crime acompanhados do refém, que possui todas as chaves e todos os códigos necessários para abrir a caixa-forte. Ficam conhecidos como os "sleepover bandits" (bandidos que pernoitam). Entra em cena Kate (Cate Blanchett, de Elizabeth e The Gift), uma dona de casa entediada e sedenta por aventuras, ou, nas palavras de Terry, um iceberg à espera do Titanic, o que dá ignição ao triângulo amoroso.

As citações e homenagens a outros filmes são constantes. Se no início as discussões recorrentes entre Joe e Terry lembram Jack Lemmon e Walter Matthau em The Odd Couple, de Gene Saks, o surgimento de Kate abre o leque cinematográfico. Sua primeira noite com os bandidos reproduz a cena clássica do cobertor usado como cortina para separar as camas em It Happened One Night, de Frank Capra. Sua participação nos crimes remete a Bonnie and Clyde, e seu relacionamento dividido com Joe e Terry é quase um espelho de Jules et Jim. Há até um eco de Natural Born Killers, de Oliver Stone, com a participação de um repórter de televisão cobrindo a carreira dos ladrões.

O problema de Bandits é exatamente essa riqueza de referências. Em meio a tanto material dramático, nenhuma vertente é explorada adeqüadamente, deixando o espectador na dúvida sobre o verdadeiro tema do filme. A carreira criminosa dos personagens? O relacionamento triangular entre eles? As verdades e mentiras da mídia? Nenhum destes temas chega a ser aprofundado, o que torna a narrativa um tanto indecisa e pouco objetiva.

Barry Levinson é um diretor de grandes acertos, como Rain Man, e grandes erros, como Sphere. Com Bandits, ficou aproximadamente a meio caminho entre seus melhores e piores momentos. O filme é simpático, apóia-se num elenco muito bom, mas fica sempre aquém da expectativa criada pela própria riqueza do enredo.


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