burburinho

velozes e furiosos

cinema por Nemo Nox

Os produtores de Velozes e Furiosos (The Fast and the Furious, EUA, 2001) afirmam que o filme foi inspirado num artigo da revista Vibe, escrito por Ken Li. Mas a história é perigosamente semelhante à de Atraídos Pelo Perigo (No Man's Land, EUA, 1987), dirigido por Peter Werner. Um policial disfarçado se infiltra no mundo de ladrões de automóveis para conseguir provas e acaba se apaixonando pela irmã do vilão.

O diferencial de Velozes e Furiosos, ao menos o ponto mais enfatizado na divulgação do filme, são as corridas de rua, ilegais, com carros modificados para conseguir enormes velocidades em disputas que não duram mais que dez segundos. E a primeira corrida apresentada, numa Los Angeles noturna e quase deserta, é realmente impressionante. Efeitos especiais, movimentos precisos de câmara, edição afiada, tudo colabora para transmitir a sensação de velocidade em tempo psicológico. Infelizmente, porém, nenhuma outra seqüência de corrida do filme repete este virtuosismo.

O diretor Rob Cohen (de Dragonheart e The Skulls) optou por um elenco quase desconhecido para povoar seu filme. Paul Walker (também de The Skulls) é o policial um tanto inexpressivo, enquanto Vin Diesel (de Saving Private Ryan) se sai bem melhor como o piloto-mecânico-ladrão-troglodita Dom Toretto. Sua irmã, foco romântico da trama, é interpretada pela bonitinha Jordana Brewster, que tem sido apontada pela mídia como brasileira apesar de ter nascido no Panamá.

O roteiro de Velozes e Furiosos não traz grandes surpresas e parece confeccionado para maximizar o número de corridas apresentadas. Nos intervalos, vemos um desfile de personagens saídos de alguma obscura tribo de homens de neandertal, divididos em grupos étnicos óbvios: chinocas, cucarachas e carcamanos. Todos são igualmente fascinados pelos automóveis rápidos e reluzentes, e também compartilham uma quase total inabilidade para o convívio social. Na impossibilidade de ter diálogos inteligentes num ambiente desses (as pérolas são frases como "you break her heart, I break your neck" ou "it doesn't matter if you win by an inch or a mile, winning is winning"), temos que nos contentar com a música alta e mais furiosa que os personagens, variando de Ja Rule a Limp Bizkit.

O final do filme não chega a ser inesperado mas ao menos traz algum frescor ao cenário simplório apresentado em Velozes e Furiosos. Mesmo assim, fica a sensação de termos assistido um grande videogame. Com a desvantagem de não podermos pilotar os carros.


pensamentos despenteados para dias de vendaval
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