burburinho

conversa com justin parsler

entrevista por Nemo Nox

Muitos jogos podem ser jogados à distância, através do correio. Imagine uma partida de xadrez entre dois amigos morando em cidades diferentes. Um deles anota num papel seu primeiro lance e envia por carta ao outro, que responde com seu próprio lance, e assim por diante. Em inglês, isto se chama PBM (Play By Mail = jogar pelo correio). Com o advento do email, as coisas tornaram-se mais rápidas e mais fáceis. Jogadores de várias partes do mundo podem participar de um mesmo jogo e trocar mensagens em poucos minutos. É o PBEM (Play By EMail). O inglês Justin Parsler é um veterano do gênero, e atualmente sua empresa Silver Dreamer Games oferece o jogo Aspects of Might, mistura de RPG com estratégia e diplomacia.

Burburinho - Há quanto tempo você é jogador e mestre de jogos em PBEM?
Justin - O primeiro PBM que joguei foi World of Vengeance, por volta de 1982. Comecei um jogo meu, ainda amador, no ano seguinte. A partir de 1990 trabalhei em tempo integral para a KGC Games, no jogo Beyond the Stellar Empire. Depois disso montei a minha empresa, Silver Dreamer. Agora, depois de um par de anos trabalhando para a Madhouse, voltei a tocar a Silver Dreamer.

Burburinho - Por que você acha que os jogos PBEM fazem tanto sucesso?
Justin - A internet facilita a comunicação e permite naturalmente vários tipos de jogos. Você pode enviar coisas escritas com facilidade para quase qualquer pessoa no mundo. É incrível e abre um enorme leque de possibilidades para um grande público. PBEM faz sucesso por causa de toda essa facilidade.

Burburinho - Por que você resolveu criar Aspects of Might?
Justin - Muitas razões. Eu estava trabalhando para a Madhouse, principalmente com o jogo Dungeonworld, que é ótimo e usa basicamente o mesmo programa de Aspects of Might, o excelente neXus. Eu queria usar o programa de formas diferentes, porque ele é poderoso e flexível. Dungeonworld é um grande jogo mas não era completamente meu, e sou maníaco por controle, então resolvi fazer meu próprio jogo. Aspects of Might acabou sendo bem diferente de Dungeonworld.

Burburinho - Você pode resumir a história de Aspects of Might?
Justin - Não quero contar tudo, porque a descoberta é parte da graça para os jogadores. Muito resumidamente... Há muito tempo, as pessoas abusaram do poder que lhes era dado pelos Aspectos (que são os arcanos maiores do tarô, parte divindade, parte símbolo, parte ideal platônico). Em retaliação, os Aspectos retiraram suas bençãos, o que transformou as pessoas em pouco mais que animais, sem vontade ou razão. Uns poucos foram poupados, os Escolhidos. No início do jogo, as coisas estão mudando, e alguns dos Escolhidos começaram a circular e despertar as pessoas, devolvendo-lhes o intelecto e a força de vontade. São esses personagens que os jogadores controlam e com eles tentam reconstruir a civilização.

Burburinho - Por que você escolheu as cartas de tarô como inspiração para Aspects of Might?
Justin - Sempre fui fascinado pela simbologia do tarô. Há uma riqueza de significado ali. E como quase todo mundo sabe ao menos um pouquinho sobre o tarô, fica bem mais fácil aprender a jogar.

Burburinho - Você tem muito controle sobre o desenrolar da história ou são os jogadores que vão construindo o universo de Aspects of Might?
Justin - Tenho muito controle. Crio coisas novas para o jogo diariamente. Entretanto, o sistema que temos faz com que os jogadores tenham liberdade para usar os elementos como bem entenderem. E eles também podem criar seus próprios elementos. No total, é um esforço em grupo: os jogadores têm um grande impacto nos acontecimentos, mas eu que decido os padrões dentro dos quais eles se movimentam. Se eu não tivesse controle, não estaria fazendo meu trabalho direito.

Burburinho - Que software e que hardware você usa para controlar Aspects of Might?
Justin - Como eu disse antes, o jogo usa o programa neXus, da Madhouse. Ele roda num iMac, que é um ótimo computador de trabalho.

Burburinho - Qual o segredo para se divertir muito num PBEM?
Justin - Depende do PBeM, claro, então não existem regras mágicas. Mas em geral, em qualquer jogo, você recebe na mesma medida em que oferece. Quando mais você investir no jogo, com novas idéias e planos, mais vai se divertir. Há sempre muito o que fazer, planejar seus movimentos, trocar informação com outros jogadores, criar objetivos, tentar realizá-los, não tem fim.


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