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conversa com bill plympton

entrevista por Nemo Nox

Aliens Mutantes é um álbum de quadrinhos (lançado no Brasil pela Conrad Livros) e um longa-metragem de animação (Mutant Aliens, EUA, 2001). Bill Plympton, o autor, desembarcou por aqui com seus bichinhos de estimação.

Burburinho - O livro Aliens Mutantes fica entre um storyboard e uma novela gráfica. Como você prefere que ele seja visto, como um acompanhamento do filme ou como uma obra autônoma?
Bill - A novela gráfica Aliens Mutantes é mais como um aperitivo do filme. Ela foi feita por três razões: 1) para divulgar o filme, 2) para ajudar a resolver os personagens e a história, e 3) para que o dinheiro da venda ajudasse na produção do filme.

Burburinho - Você planeja divulgar seus próximos filmes da mesma maneira, publicando o storyboard antes na formato de novela gráfica? Os leitores irão ao cinema mesmo depois de conhecer a história?
Bill - Sim, acho que uma novela gráfica é uma ajuda maravilhosa para fazer um longa-metragem. Os japoneses sempre fazem isso, e eu acho que os fãs terão a curiosidade despertada pelo livro e vão querer ver o filme.

Burburinho - O episódio do Planeta dos Narizes é bem divertido e poderia ser um curta-metragem. Você pensou nisso durante o processo de criação?
Bill - Acho que o Planeta dos Narizes está muito ligado a Aliens Mutantes pra se tranformar num curta, mas sempre o mostro dessa forma quando vou falar e divulgar o filme.

Burburinho - Você acredita na existência de alienígenas? Ou, como em Aliens Mutantes, teremos que inventar nossos próprios aliens se quisermos alguns?
Bill - Acredito que existam muitos animais mortos orbitando o planeta.

Burburinho - Você começou fazendo ilustração e cartum. Como e por que saltou para a animação?
Bill - Meu primeiro amor foi a animação, desde a primeira vez que vi o Pernalonga e o Patolino. A ilustração foi só para ganhar dinheiro e desenvolver meu estilo.

Burburinho - Seus curtas foram um sucesso na MTV. Como você chegou lá e como foi a experiência?
Bill - Abby Terkhule, da MTV, viu meus curtas em Annecy e os comprou lá. Quando ele teve uma ótima resposta do público, comprou mais. Gostei de trabalhar com a MTV.

Burburinho - Você também dirigiu filmes com atores de carne e osso. Pretende continuar fazendo isso ou vai se concentrar na animação?
Bill - Foi uma dor-de-cabeça enorme e cara, e os filmes foram um fracasso. Então acho que vou continuar só com a animação.

Burburinho - Por que você não usa computadores na sua animação?
Bill - Computadores são muito lentos, muito caros, e eu não gosto daquele visual mecânico e antisséptico.

Burburinho - Quem são seus ídolos?
Bill - Walt Disney, Tex Avery, Bob Clampett, A.B. Frost, Robert Crumb, Winsor McCay, Quentin Tarantino, Peter Jackson, Eugene Ionesco, Jacques Tati, Roland Topor, Richard Lester, The Beatles, Emmylou Harris.

Burburinho - Você já publicou em todos os tipos de jornais e revistas, de Rolling Stone e The New York Times a Vogue e Penthouse. Seus filmes fizeram grande sucesso na MTV. Você foi indicado ao Oscar e à Palma de Ouro de Cannes. O que falta para conquistar, quais são seus desafios?
Bill - Minha grande meta é fazer um longa-metragem que seja um sucesso comercial.

Burburinho - Qual o seu próximo projeto?
Bill - Estou planejando um filme novo chamado Hair High, uma espécie de Carrie com humor. Também estou terminando um especial de natal chamado 12 Tiny Christmas Tales, para o Cartoon Network.


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