burburinho

lara croft: tomb raider

cinema por Nemo Nox

A julgar pelos filmes dos últimos anos, a arqueologia é uma mais excitantes profissões que podemos escolher. Nada de escovar cacos de cerâmica antiga, os pré-requisitos são o manuseio de armas e as habilidades atléticas. Que o digam Indiana Jones (Raiders of the Lost Ark, Indiana Jones and the Temple of Doom, Indiana Jones and the Last Crusade) ou Rick e Evelyn O'Connell (The Mummy, The Mummy Returns). E agora surge nas telas uma nova arqueóloga aventureira, vinda dos videogames e com potencial para várias seqüências cinematográficas, a lady Lara Croft, estrela de Tomb Raider (Lara Croft: Tomb Raider, EUA, 2001), dirigido por Simon West (o mesmo de The General's Daughter e Con Air).

A arqueologia, porém, é só pretexto para muitos tiros e correrias, saltos acrobáticos e explosões. Explorando uma pseudo-história repleta de magia, alguns trechos de Tomb Raider chegam a parecer criação da mente de Paulo Coelho. Todos os lugares estão sob os olhos vigilantes de sociedades secretas, objetos insuspeitos podem ter propriedades esotéricas, poderes divinos estão ao alcance de qualquer vilão com ares de dublê de Julio Iglesias (Iain Glen, o Hamlet de Rosencrantz and Guildenstern Are Dead). No final, a moral da história não é mais inventiva que uma frase saída de um biscoitinho chinês.

No fundo, tudo em Tomb Raider é só cenário para enquadrar a grande estrela, Lara Croft, que deixa de habitar um corpo digital e transmigra para os ossos e as carnes (e que carnes!) de Angelina Jolie, cujos lábios sensuais já enfeitaram filmes como The Bone Collector, Girl, Interrupted e Gone in Sixty Seconds. Seu pai, Jon Voight, também aparece em Tomb Raider, como lord Richard Croft, o pai de Lara.

Tudo começou em 1996, com o jogo Tomb Raider, da Eidos, onde uma arqueóloga chamada Lara Croft ia em busca da Atlântida perdida. Dona de uma figura invejável, com pernas longas e seios que desafiavam a lei da gravidade, ela fugia do padrão "jogos para rapazes precisam ter rapazes como protagonistas". Lara não só atraiu um novo público feminino que se identificava com o personagem mas também conquistou legiões de fãs masculinos que babavam com o mamalhal bamboleante da moça. Quem imaginaria que teríamos um sex symbol virtual? Angelina Jolie tem basicamente os mesmos atributos físicos da Lara dos games, inclusive a indefectivel camiseta azul que não fica transparente quando molhada nem permite que a heroína sinta frio mesmo na neve e quando todos à sua volta estão encapotados.

O grande problema de Tomb Raider é a falta de originalidade. A mesma trama, com pequenas variações, já foi vista incontáveis vezes no cinema. Não adianta uma produção bem cuidada ou efeitos especiais competentes, o gostinho é de dejà vu. Resta o deleite visual de ver uma Lara Croft fiel ao original dos games e extremamente apetitosa, mas um filme deveria ser bem mais que isso. Ou não?


pensamentos despenteados para dias de vendaval
Copyright © 2001-2005 Nemo Nox. Todos os direitos reservados.